Deixamos Kyoto e partimos rumo a Hiroshima, utilizando nosso JR Pass. Pegamos um shinkansen, como são chamados os trens de alta velocidade, e em duas horas chegamos na estação principal de Hiroshima, mesmo fazendo uma troca de trem em Kobe. São 361 quilômetros de distância entre as duas cidades.
Viajar de trem pelo Japão é ótimo! Os trens são rápidos, confortáveis e em pouco tempo você deixa o centro de uma cidade e chega em outra. Além de tudo, pelo menos os que pegamos, são pontualíssimos! É só cuidar o número do trem, horário e destino final que é facílimo de se orientar.
Nosso hotel em Hiroshima era bem perto da estação. Aliás, nem utilizamos transporte público na cidade. Fizemos tudo a pé. Largamos as malas no hotel e aproveitamos o dia lindo e de temperatura agradável para conhecer a cidade.
Nosso destino era o Parque Memorial da Paz e arredores, cerca de 30 minutos a pé a partir do hotel. Passamos pela Rua Hondori, toda coberta e cheia de lojas. Além desta, tem outra rua coberta, que nos ajudou no dia chuvoso que fez na cidade.
Mesmo se for apenas para visitar o Parque Memorial da Paz, o Museu e o Domo da Bomba Atômica, já vale a pena incluir Hiroshima no roteiro. Mas Hiroshima é mais que isso... posso dizer que dentre as cidades que visitamos escolheria esta para morar.
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Memorial aos estudantes mobilizados |
Além do museu, uma das visitas que causa maior impacto é o
Domo da Bomba Atômica, que eles nominam de
A-bomb Dome (ou Genbaku Dome). A bomba explodiu cerca de 160 metros de distância deste prédio e 600 metros acima, sendo um dos poucos que sobraram depois da explosão. Todas as pessoas que estavam em seu interior morreram. Houve um impasse sobre a manutenção ou demolição do prédio. Optou-se por mantê-lo e lembrar do episódio triste da cidade, que clama pela paz.
Esse edifício foi construído em 1915 e declarado patrimônio mundial da Unesco em 1996.
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A foto mostra como o prédio era antes da bomba atômica |
No
Parque Memorial da Paz há diversas homenagens e monumentos. Esse abaixo é o
Monumento das Crianças à Paz, inspirado em Sadako Sasaki. Sadako descobriu que estava com leucemia aos 11 anos, em 1955 e decidiu criar 1000 tsurus, símbolo da longevidade e felicidade. Ela faleceu antes de alcançar sua meta, mas até hoje os tsurus estão por tudo em Hiroshima: um símbolo da cidade.
No nosso passeio pelo parque, várias crianças nos abordaram para um questionário (trabalho da escola). A comunicação não foi muito fácil, então as perguntas vieram escritas e as respostas também! Foi difícil chegar ao museu, diante de tantos pedidos de resposta aos questionários!
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Alunas fazendo o trabalho de escola |
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Cenotáfio: lugar onde estão registrados os nomes das vítimas da bomba identificadas,
além da chama da paz |
O
Museu Memorial da Paz é pequeno (200 yenes/adulto), mas vale muito a pena a visita. Imperdível para quem vai a Hiroshima. Já choca na entrada:
Um mural enorme da cidade em 1945:
Um relógio:
E outro mural enorme, marcando a destruição da cidade:
Depois são vários murais contando a história da bomba, desde a sua criação em Alamogordo (pertinho do White Sands National Monument, aonde estivemos em 2017), as consequências tanto na cidade de Hiroshima quanto em Nagasaki, além da reconstrução da cidade.
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Fat Man: bomba de Nagasaki (plutônio); Little Boy: bomba de Hiroshima (urânio) |
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Imagem mostrando que a destruição em Hiroshima, à direita, foi maior |
A bomba de Hiroshima matou 140.000 pessoas até o final do ano de 1945. Além das pessoas que morreram com a explosão da bomba, muitas sofreram queimaduras e morreram nos dias seguintes, e outras adoeceram em decorrência da radiação.
Na segunda parte do museu há vários objetos doados por famílias vítimas da bomba. Essa bicicleta foi doada muitos anos após a morte da criança que brincava com ela... o pai do menino enterrou o filho junto com a bicicleta e a desenterrou muitos anos após, doando-a ao museu.
Esse relógio parou na exata hora da explosão da bomba atômica:
Esses tsurus são o símbolo da cidade e foram doados por Shigeo e Masahiro Sasaki (mesmo sobrenome da criança que fez os tsurus quando estava doente)
São inúmeros objetos e todos têm uma história, fazem referência ao seu dono e o que aconteceu com ele. Essa "personalização" dos objetos é muito impactante.
Apesar de todo esse passado triste, a cidade não parece rancorosa. Apenas busca a paz. É muito agradável caminhar pelas ruas, uma cidade acolhedora.
O prato tradicional da cidade é o
Okonomiyaki. Ele está por toda a parte!!! Escolhemos um restaurante e fomos provar. Não é nenhuma maravilha, mas é gostoso. Tem muita coisa dentro: repolho, broto de feijão, ovo, massa, molhos, carne de porco... Eles fazem dentro do restaurante mesmo! Embora a gente saia defumado, vale muito a pena a experiência.
Ficaríamos duas noites na cidade, mas um dia de chuva nos fez ficar um dia a mais, porque queríamos ir a
Miyajima, que é outra visita imperdível para quem esta em Hiroshima.
Período: 16 a 19/01/2018
Hotel: Century 21. Hotel antigo, mas com quartos espaçosos. Ficamos duas noites num quarto tradicional japonês, mas não é confortável dormir em futons sobre os tatames. Na terceira noite fomos para um quarto "normal", enorme até para nossos padrões. Tinha até lavabo, além do banheiro normal. O valor foi de R$ 270,00 para 4 pessoas com café, no quarto japonês e R$ 240,00 para 3 pessoas com café, no quarto normal.
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Assim eram os futons sobre o tatame. |